PASSADIÇOS DO PAIVA

PASSADIÇOS DO PAIVA

E a Páscoa está de novo aí, sendo celebrada a 1 de abril. Com as férias escolares, esta é uma boa altura para programarmos um passeio mais prolongado, seja em Portugal, seja no estrangeiro, mais perto ou mais longe de casa. Gostava que fosse possível fugir aos períodos de maior enchente mas com a Mariana em aulas é impossível. Sendo assim, o ano passado planeámos um fim-de-semana alargado, com o objetivo de visitarmos os Passadiços do Paiva, construção que me inspirou a uma visita. Este ano não foge à regra e já temos marcada a nossa viagem de férias da Páscoa. Fiquem atentos! Em breve contamos tudo!

Primeiro conhecer Resende

Com os Passadiços em mente, aproveitámos para conhecer um pouco a bela zona do rio Douro. Reservámos hotel em Caldas de Arêgos e, bem cedo, partimos de Lisboa. Esperavam-nos 360 quilómetros. Fizemos muito bem a viagem, a Mariana viu vários filmes no portátil, paramos para almoçar o que levávamos numa estação de serviço, até que chegámos a Caldas de Arêgos, cerca de três horas depois. Demos entrada no hotel, deixámos as malas e partimos à descoberta das proximidades. Foi um resto de dia maravilhoso. Ainda a pé passeámos por Caldas de Arêgos, um local pequenino, na margem do rio Douro, mas muito bonito; seguimos depois de carro, aproveitando a paisagem, com o rio a serpentear, até Resende. Só podemos dizer que Portugal - e aquela região em especial – é belíssimo. A paisagem é de cortar a respiração e só apetece guardá-la bem na memória (e na máquina fotográfica). Passeámos por Resende e fomos às pequenas localidades à roda, até chegarmos junto à margem do rio Douro. Que local! Tão tranquilo, tanta paz, tanta beleza. Andámos por ali, só a aproveitar. Já de noite, tivemos a sorte de se realizar perto do hotel um arraial, com direito a porco assado, caldo verde e música popular. Foi uma forma divertida de terminar a jornada. No dia seguinte revisitámos calmamente os locais que mais nos agradaram, subimos às zonas mais altas e preservadas e contemplámos. Para quem sai do rebuliço da cidade foram dias de “no stress”, de paz. Quanto à comida, tirando o porquinho assado, não apreciámos. Almoçámos em Resende mas nada de particular; mesmo as especialidades do hotel não deixaram saudades.

 

 

A caminho dos Passadiços

No domingo de Páscoa, saímos de Caldas de Arêgos para Arouca, mais uma hora e meia de viagem para 60 km. Chegámos bem cedo e ainda bem, pois foi fácil estacionar o carro no parque bem preparado para receber 400 visitantes. Soubemos que no dia anterior a procura foi tanta que não havia lugares e as estradas estavam superlotadas. Muitas pessoas, para fugir ao dia de Páscoa, optaram pelo sábado e tudo se tornou muito confuso... Por isso, chegue cedo e tente evitar os dias festivos ou de fim-de-semana, o que não foi o nosso caso, hi, hi.. O nosso local de passeios, os Passadiços do Paiva, são um percurso pedonal, em madeira, que se estende por 8,7 quilómetros ao longo da margem esquerda do Rio Paiva, no concelho de Arouca, distrito de Aveiro. Foram inaugurados em junho de 2015 e logo fizeram sucesso. Em 2016 e 2017 o projecto foi até distinguido como o mais inovador da Europa nos World Travel Awards, considerados os Óscares do Turismo a nível mundial. Portugal cada vez mais em alta!

Exercício físico em lugar privilegiado

Infelizmente, o território florestal de Arouca foi bastante fustigado pelos incêndios: em 2015 foram afetados 600m do percurso; e em 2016, o incêndio já foi de grandes proporções e destruiu uma dimensão considerável do território, o que conduziu ao encerramento de parte do percurso. A nossa visita aconteceu logo após a reabertura na sua totalidade. Os acessos ao passadiço são efetuados pelas extremidades dos mesmos: pela ponte de Espiunca ou na praia fluvial do Areinho. Embora os responsáveis aconselhem a que se comece o percurso no Areinho, por ser mais acessível, nós optámos pela Espiunca. No bar com vista para a praia fluvial, reforçámos o pequeno-almoço com deliciosos croquetes e rissóis, já que nos esperavam quase nove quilómetros de percurso. Fomos imediatamente cativados pelos Passadiços. Que local tão bonito, tão natural, tão pacífico, tão intocado. E as águas do Rio Paiva são tão límpidas (e frias!) que convidam os mais corajosos a um mergulho ou as crianças a brincadeiras.

 

 

 

Espiunca ou Areinho: decida

Optando partir pela Espiunca, o início da viagem é fácil, plano e propício à fruição total do local. São mais de oito quilómetros de paisagens de beleza ímpar, num autêntico santuário natural, junto a descidas de águas bravas, cristais de quartzo e espécies em extinção na Europa. Ao longo do percurso existem cartazes informativos que explicam as espécies que encontramos. Fizemos todos aqueles quilómetros calmamente, com prazer e sem grande dificuldade. Mesmo a Mariana, de oito anos, apreciou o trajecto, tendo apenas pequenas queixas de “nunca mais chegamos”. Cruzámo-nos com imensos caminhantes satisfeitos e constatamos que algumas crianças e jovens acompanham os seus pais. Da idade da Mariana ainda vão aproveitando, com alguns queixumes; para os mais pequenos pode não ser o local indicado; já os mais crescidos parecem arrastar-se. Se tem filhos desta idade, prepare-os para o esforço físico e não deixe de lhes apontar a beleza rara deste local.

 

 

 

Vá descansando e apreciando

Por nós, fomos fazendo algumas pausas para descanso, para idas à casa de banho (há sanitários pré-fabricados no percurso) e para pequenos lanches. Caminhámos cerca de duas horas e o melhor estava guardado para a reta final: 500 escadas para encerrar o percurso. Ui! É por esta razão que se aconselha começar no Areinho. No entanto, por Espiunca, o final pode ser mais difícil mas todo o percurso é belíssimo, mesmo que a subir. Quando se inicia no Areinho o desafio é menor, a paisagem é bem mais pobre, com partes de terra batida, com pouca vegetação e também algumas escadas para conquistar. A viagem por aqui começa somente quando se alcança um miradouro de onde se podem alcançar os Passadiços e ter uma perspetiva do que aí vem. À chegada ao Areinho encontramos também um café e zona de praia para nos recompormos. Quem quiser pode fazer o percurso de volta ou optar por apanhar um táxi (por 12,5 euros carros pequenos e 15 carrinhas maiores). Por mim regressava a pé, o que não foi possível pois tínhamos uma criança cansada. Isto vos garanto...foi a melhor caminhada até hoje.

 

 

Informações úteis:

Apenas podem entrar 3500 visitantes diários. As entradas passaram a custar um euro, que podem ser adquiridas em www.passadiçosdopaiva.pt e devem ser entregues aos funcionários à entrada de cada um dos percursos. São três horas de viagem de Lisboa a Arouca; uma hora do Porto a Arouca.

Existem dois percursos:

Partida: Areinho / Espiunca ou Espiunca/areinho

Distância a Percorrer: 8700m (linear)

Duração Média: 2h e 30m

Nível de Dificuldade: Alto

Desníveis: Acentuados

Tipo de Percurso: Pequena Rota

Âmbito: Desportivo, Cultural, Ambiental e Paisagístico

Época aconselhada: Todo o Ano

Dicas úteis:

O percurso no sentido Areinho - Espiunca é o menos exigente, a nível físico;

No caso de ida e volta, recomenda-se começar o percurso pela Espiunca. Se for com amigos, deixe um carro em cada uma das entradas;

O passadiço permite o acesso a três praias fluviais, onde se poderá refrescar;

Leve sempre água consigo e uma mochila para trazer o lixo;

Não utilize chinelos ou calçado de praia. Leve roupa adequada à época;

Chegue cedo para evitar o calor e, se possível, evite fins-de-semana ou épocas festivas;

Neste momento, o serviço de transfer de uma extremidade para a outra pode ser efetuado por táxi;

Para sua segurança, ao longo do percurso, existem telefones SOS;

Em períodos de sol intenso, recomenda-se o uso de protetor solar e chapéu de sol;

Existem muitas zonas com sombra, ao longo do percurso;

Nas extremidades dos passadiços existem cafés que servem refeições rápidas;

Existem parques de estacionamento nas duas extremidades dos passadiços;

Alojamento

Aqui deixamos duas sugestões de casas de turismo rural em Arouca e Castelo de Paiva, cidades que podem ser excelentes bases para explorar os passadiços. E uma outra proposta irrecusável de alojamento, para quem não quiser andar muito quando terminar o percurso em Espiunca.

Rio Moment’s (Castelo de Paiva), www.riomoments.com

Tem piscina e tem spa, bar, restaurante, sala de jogos, passeios a cavalo e BTT, paintball e rafting e mais uma série de outras atividades que organiza, à medida, para acrescentar adrenalina ao trilho dos Passadiços do Paiva. O Rio Moment’s – Country House Paiva Valley oferece 12 quartos extraordinários distribuídos por três casas.

Casa do Paúl (Espiunca), https:/casapaul.wordpress.com

A Casa do Paúl brinca com o xisto típico da região e com o design moderno que oferece aos hóspedes numa casa de três quartos, ou num studio duplex, com todas as comodidades para garantir uma estadia exemplar. A aldeia de Espiunca ficou no mapa por ser um dos pontos de término (ou início) do percurso dos Passadiços do Paiva. Mas esta Casa do Paúl mereceria uma visita – e uma estadia – independentemente disso.

Quinta de Anterronde (Arouca), www.quintadeanterronde.pt

Foi uma casa de família de um lavrador abastado, hoje é uma unidade hoteleira preparada para receber pessoas com mobilidade reduzida e adaptada a famílias. A Quinta de Anterronde está instalada num local que remonta ao século XV – e é, por isso, considerada um ponto de interesse histórico na região de Arouca. Mas é também um espaço de turismo rural que permite conhecer de perto a realidade de uma quinta produtora de kiwi e mirtilos que, naturalmente, não faltarão na mesa do pequeno-almoço.

Mais informações em www.passadiçosdopaiva.pt.