DE DESAFIO EM DESAFIO E MAIS PERTO DA NATUREZA

DE DESAFIO EM DESAFIO E MAIS PERTO DA NATUREZA

Às vezes fazemos reportagens tão giras, em locais super fantásticos e com pessoas igualmente espantosas. Fico a vê-las prepararem-se, a vê-las conviver alegremente, a partirem de sorriso na cara para o novo desafio – seja ele a que hora for – e fico orgulhosa por eles e com vontade de me lançar também. Naqueles momentos, penso que gostaria de treinar, de começar a ganhar forma física e de partir à descoberta dos vários desportos que têm surgido em Portugal e que levam os atletas a superarem-se e ao mesmo tempo a conhecerem por dentro novos e maravilhosos locais pelo país fora. 

Lá vão os anos e nada de dar o passo. O trabalho de fim-de-semana, quase sempre planeado sem hipóteses de resposta, deixa pouca disponibilidade para me inscrever nestes eventos. Enfim...resta-me o consolo de os acompanhar e de contar como foi. Desta vez, a reportagem foi do Arrábida SwimRun, um novo desporto que surgiu em 2017 e que consiste em nadar e correr, nadar e correr, sempre em transições, e sem interrupções, nem para tirar os ténis de corrida. O que significa que os cerca de 200 participantes nadaram com os ténis calçados e correram, logo de seguida, com eles molhados. Não me parece muito agradável mas o pessoal gostou da novidade e não se queixou. Esta prova, nas águas frias do Sado e nas belas enconstas da Serra da Arrábida, não tinha grandes distâncias, apenas 17 (individualmente ou em duplas) e 10 km (entre corrida e natação), mas, mesmo assim, foi exigente e os primeiros precisaram de cerca de duas horas para completarem a distância mais longa. Neste conjunto, estavam aventureiros do trail, do triatlo e da natação de águas abertas, muitos deles habituados a percorrer longas distância, até ao nível do duríssimo ironman (que consiste em 3.800m de natação, 180 kms de bicicleta e 42 de corrida, uma maratona), como é o caso do vencedor dos 17km Pedro Gomes que ali preparava o próximo ironman.

O nevoeiro quase impediu a realização do evento

Nesse domingo de setembro foi dia de acordar cedo, pelas seis da manhã, para chegarmos a horas ao Parque Urbano de Albarquel, em Setúbal, onde seriam dadas as partidas, previstas para as nove da manhã. Uma partida seria o que o nevoeiro nos iria pregar... Foi necessário aguardar quase duas horas até que este se dissipasse e todos pudessem partir com visibilidade e em segurança. Entretanto, tivemos tempo para confraternizar e admirar aquela bela região de Setúbal, à beira do Sado, com cafés e bares pela praia e com muita gente a praticar desporto de forma casual, como a corrida, a caminhada ou de bicicleta. A cidade de Setúbal está bonita e convidativa a passeios ou a bons repastos (como o choco frito ou o peixe fresco).

Finalmente o sol apareceu e os concorrentes dos 17 km foram os primeiros a partir, lançando-se à agua a partir de um barco. Nadaram 900m até passarem para o segmento de corrida. Os atletas dos 10km iniciaram a prova 15 minutos depois, pela corrida, entraram na água para depois se juntarem aos primeiros na subida pela Serra da Arrábida. Depois do segmento de corrida pela serra e da passagem pela zona de piqueniques os atletas voltam ao rio para atingirem a meta, o prémio final. E assim foi mais uma competição, a quarta deste novo desporto, que tem a originalidade de ser composta por múltiplas transições entre a natação de águas abertas e a corrida, com a particularidade de os atletas não mudarem de equipamento ao longo da prova.

Por curiosidade, acrescente-se que este desporto surgiu na Suécia, em 2016, quando a prova “Otillo” (significa de ilha para ilha) teve a sua estreia, pela mão de dois amigos, que abraçaram o desafio de correr ao longo das várias ilhas do Arquipélago de Estocolmo, nadando entre elas, numa distância total de 75 km, sendo 10 km de natação de águas abertas.

Espreitem as imagens video deste SwimRun na Serra da Arrábida em www.modalidades.net, programa 262 e percebam como praticar desporto perto da natureza é imperdível.